Administração Pública · Políticas Públicas · FGV

Ciclo das Políticas Públicas: as 7 etapas de Saravia que a FGV cobra

Por Prof. Marcelo Soares Auditor da CGE-MT Publicado em 10/07/2026

Políticas públicas têm recorrência garantida nas provas da FGV — e o ciclo das políticas públicas é o coração do assunto. O problema: cada autor propõe um ciclo diferente, e a banca gosta justamente do menos intuitivo deles, o de Saravia, cheio de distinções que derrubam quem estudou por cima.

Resposta rápida: o ciclo das políticas públicas (policy cycle) é um esquema de visualização e interpretação que organiza a vida de uma política pública em fases sequenciais e interdependentes. É um modelo abstrato — não pretende retratar a dinâmica real, e sim servir de instrumento de análise. No ciclo de Saravia (o favorito da FGV), são 7 etapas: formação da agendaelaboração (gerar alternativas) → formulação (decidir) → implementação (preparar/planejar) → execução (pôr em prática) → acompanhamento (controle durante) → avaliação (controle a posteriori).

Assista à videoaula

Este artigo é baseado na aula de ciclo das políticas públicas do Prof. Marcelo Soares, com questões da FGV comentadas. Assista abaixo (ou direto no YouTube):

Neste artigo

  1. O que é o ciclo das políticas públicas
  2. Os autores (e por que a FGV ama Saravia)
  3. As 7 etapas de Saravia, uma a uma
  4. Como um problema entra na agenda (RAC)
  5. Questão FGV comentada
  6. Perguntas frequentes

1. O que é o ciclo das políticas públicas

O ciclo das políticas públicas — também chamado de processo de elaboração de políticas públicas (policy making process) ou policy cycle — é, na definição de Secchi, um esquema de visualização e interpretação que organiza a vida de uma política pública em fases sequenciais e interdependentes: do surgimento do problema que justificou a criação da política até a avaliação final ("esse negócio que a gente fez deu certo ou não?").

O ponto que mais cai: o ciclo é um modelo abstrato. Ele não tem a pretensão de representar a dinâmica real — complexa e muitas vezes irracional — da elaboração das políticas públicas. Ele existe pra criar uma base comum de análise e comparação: é o que permite estudiosos compararem como uma política foi desenvolvida no Mato Grosso e em São Paulo falando a mesma língua. Se a questão disser que o ciclo "retrata fielmente a realidade", está errada.

2. Os autores (e por que a FGV ama Saravia)

Justamente por ser um modelo abstrato de análise, cada autor propõe seu próprio ciclo — uns detalham mais etapas, outros agrupam em menos. Quatro correntes têm prestígio nas bancas: Secchi, Celina Souza, Saravia e Howlett e Ramesh. E a FGV gosta especialmente de dois: Secchi e, acima de todos, Saravia — autor que organizou a coletânea da ENAP usada na formação dos Especialistas em Políticas Públicas e Gestão Governamental (EPPGG), coletânea que inspira muitas questões da banca.

Por que o professor ensina pelo Saravia? Dois motivos: é o mais cobrado pela FGV, e é o menos intuitivo — ele separa conceitos que os outros tratam como sinônimos (elaboração × formulação, implementação × execução). Quem domina o Saravia resolve os outros; o contrário não é verdade.

3. As 7 etapas de Saravia, uma a uma

1 · AGENDA problema vira relevante 2 · ELABORAÇÃO gerar alternativas 3 · FORMULAÇÃO decidir a melhor 4 · IMPLEMENTAÇÃO preparar: planos e recursos 5 · EXECUÇÃO pôr em prática 6 · ACOMPANHAMENTO supervisão durante 7 · AVALIAÇÃO efeitos a posteriori o ciclo recomeça: a avaliação realimenta a agenda
O ciclo de Saravia: 7 etapas — e a avaliação realimentando o começo do ciclo.

1. Formação da agenda

A sociedade demanda um monte de coisa do Estado — e a maior parte é ignorada. Apenas alguns problemas, por pressão de cidadãos, grupos de interesse e mídia, ganham relevância pública. A agenda é justamente o conjunto de problemas públicos considerados relevantes o suficiente para merecer uma intervenção do Estado. É a etapa em que a sociedade mais interfere no ciclo.

2. Elaboração

Elaboração = gerar alternativas. Identificação e delimitação do problema, determinação das possíveis alternativas de solução, avaliação dos custos e efeitos de cada uma e estabelecimento de prioridades. Ainda não se escolhe nada — se produz o cardápio.

3. Formulação

Formulação = tomar a decisão. Seleção e especificação da alternativa considerada mais conveniente, com a declaração que explicita a decisão, seus objetivos e seu marco jurídico, administrativo e financeiro. É aqui que rola a política de verdade (politics): disputa, negociação e barganha entre os atores até a decisão. Macete do professor: E vem antes de F — primeiro Elabora (gera), depois Formula (escolhe).

4. Implementação

A pegadinha do Saravia: implementação ainda não é pôr em prática. É a preparação — planejamento e organização do aparelho administrativo e dos recursos humanos, financeiros, materiais e tecnológicos, com a elaboração dos planos, programas e projetos que permitirão executar a política.

5. Execução

Agora sim: o conjunto de ações destinado a atingir os objetivos estabelecidos pela política — a realização prática. Inclui o estudo dos obstáculos que se opõem à transformação dos enunciados em resultados, especialmente a análise da burocracia.

6. Acompanhamento

O controle durante: supervisão sistemática da execução, fornecendo informação pra introduzir correções e assegurar o alcance dos objetivos. Pensa na função controle acontecendo pari passu com a execução.

7. Avaliação

O controle a posteriori: mensuração e análise dos efeitos produzidos na sociedade — realizações obtidas e consequências previstas e não previstas. Observação do professor: na prática, o ideal é avaliar a política em todas as etapas (inclusive ex ante); no modelo de Saravia, porém, a avaliação fecha o ciclo — lembre-se: é um modelo abstrato.

4. Como um problema entra na agenda (RAC)

Se a sociedade tem infinitos problemas, o que faz um deles virar "problema público relevante"? Secchi aponta três condições — grave o mnemônico RAC:

5. Questão FGV comentada

Questão comentada — FGV · BBTS · Analista · 2023

A formação de agendas para o delineamento de políticas públicas representa o momento em que os problemas e soluções ganham ou perdem atenção da sociedade, visando ao seu enfrentamento. Segundo a literatura especializada, assinale a opção que indica a exigência que deve ser evidenciada para que um problema entre na agenda:

Na aula, o professor comenta ainda outras questões da FGV no mesmo padrão — incluindo a que pede a ordem das fases (gabarito: exatamente a sequência de Saravia — agenda, elaboração, formulação, implementação, execução, acompanhamento e avaliação) e a que descreve a tomada de decisão como o momento em que os interesses dos atores são equacionados (= formulação).

Resumo de prova

Administração no padrão da banca FGV

Políticas públicas é um pedaço da Administração Pública que a FGV cobra — no Curso FGV você domina Administração Geral, Pública e Gestão de Pessoas do jeito que a banca pergunta, do zero ao gabarito.

Conhecer o Curso FGV →

Perguntas frequentes

O que é o ciclo das políticas públicas?
Um esquema de visualização que organiza a vida de uma política pública em fases sequenciais e interdependentes. É modelo abstrato e instrumento de análise — não retrato da realidade.
Quais são as 7 etapas de Saravia?
Agenda, elaboração, formulação, implementação, execução, acompanhamento e avaliação.
Qual a diferença entre elaboração e formulação?
Elaboração gera as alternativas; formulação escolhe e especifica a melhor. E vem antes de F.
Implementação e execução são a mesma coisa?
Não no Saravia: implementação é a preparação (planos, recursos); execução é pôr em prática.
O que um problema precisa pra entrar na agenda?
RAC: resolutividade (necessário e factível), atenção (atores e mídia) e competência (responsabilidade pública).
MS

Prof. Marcelo Soares — professor de Administração e Auditoria para concursos, auditor da CGE-MT (Controladoria-Geral do Estado de Mato Grosso), com quase 10 anos de experiência na área de controle interno e aprovado em 10 concursos públicos.