Teoria dos Dois Fatores (Herzberg): higiênicos e motivacionais
Essa é a teoria que mais contraria o senso comum, e por isso mesmo é uma das preferidas das bancas. Se você acha que aumentar o salário motiva a equipe, Herzberg discorda de você. E é a resposta dele que a prova cobra.
Neste artigo
1. Os fatores motivacionais
Os fatores motivacionais são os aspectos relacionados ao mais alto nível de autorrealização do indivíduo. Eles dizem respeito ao conteúdo do trabalho, ao que a pessoa efetivamente faz. Em geral, são fatores intrínsecos. São exemplos:
- o reconhecimento;
- a possibilidade de crescimento pessoal;
- o conteúdo do trabalho, ou seja, as próprias atribuições;
- o exercício da responsabilidade.
A motivação só ocorre se alguns desses fatores estiverem presentes. E se eles não estiverem?
2. Os fatores higiênicos
Os fatores higiênicos se relacionam com a insatisfação no trabalho. Eles dizem respeito ao contexto, ao ambiente em volta da tarefa, e são extrínsecos, administrados pela empresa. São exemplos:
- salário;
- condições de trabalho;
- estilo de supervisão;
- segurança;
- relacionamentos pessoais no trabalho;
- políticas da empresa.
Quando ausentes, geram insatisfação. Quando presentes, porém, não geram motivação: apenas evitam que a pessoa fique insatisfeita.
3. A matriz que resolve a questão
Se você guardar esta matriz, resolve praticamente qualquer questão sobre a teoria bifatorial. Repare que o resultado neutro aparece nas duas diagonais opostas, e é exatamente aí que a banca arma a pegadinha.
| Situação | Resultado |
|---|---|
| Fator motivacional presente | Motivação |
| Fator motivacional ausente | Neutro (indiferença, e não desmotivação) |
| Fator higiênico presente | Neutro (não motiva, apenas previne a insatisfação) |
| Fator higiênico ausente | Desmotivação (insatisfação) |
4. Por que salário não motiva
Essa é a conclusão que mais gera revolta e mais cai em prova: salário é fator higiênico, e não fator motivacional. Logo, de acordo com a teoria bifatorial, salário não é capaz de motivar.
A lógica é a seguinte: se o salário está inadequado, o empregado fica insatisfeito. Corrigido o salário, a insatisfação some, mas isso não coloca ninguém em estado de motivação. Para motivar, seria preciso mexer no conteúdo do trabalho: dar reconhecimento, responsabilidade, possibilidade de crescimento.
5. As pegadinhas de prova
- Ausência de motivacional = desmotivação? Não. É neutralidade. Desmotivação vem da ausência de higiênico.
- Presença de higiênico = motivação? Não. É neutralidade. Higiênico presente só evita a insatisfação.
- Salário como motivacional? Errado. É o exemplo mais citado de fator higiênico.
- Trocar os grupos: autonomia e reconhecimento são motivacionais; salário, políticas da empresa e supervisão são higiênicos.
- Classificação da teoria: a bifatorial é uma teoria de conteúdo, porque explica o QUE motiva, e não como a motivação ocorre.
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- Qual a diferença entre fatores higiênicos e motivacionais?
- Motivacionais são intrínsecos e ligados ao conteúdo do trabalho (reconhecimento, crescimento, responsabilidade). Higiênicos são extrínsecos e ligados ao contexto (salário, condições, supervisão, políticas).
- O que acontece quando os fatores motivacionais estão ausentes?
- Neutralidade, e não desmotivação. A ausência de fator motivacional gera apenas indiferença.
- Segundo Herzberg, salário motiva?
- Não. Salário é fator higiênico: quando falta, gera insatisfação; quando está presente, não motiva.
- Os fatores higiênicos são controlados por quem?
- Pela empresa. Eles são administrados pela organização e extrínsecos à motivação do funcionário.