Administração para concursos · Gestão de Pessoas

Motivação no trabalho: conceito, ciclo motivacional e teorias

Por Prof. Marcelo Soares Auditor da CGE-MT Atualizado em 21/07/2026

Motivação é um dos assuntos mais cobrados de Gestão de Pessoas, e também um dos que mais gera erro por excesso de senso comum. Antes de decorar Maslow e Herzberg, você precisa dominar três coisas: o que é motivação, de onde ela vem e como funciona o ciclo motivacional. É isso que este guia resolve.

Resposta rápida: motivação é um estado psicológico de disposição que antecede e conduz o comportamento. Ela tem três elementos: direção (o foco, o objetivo), intensidade (o esforço aplicado) e persistência (por quanto tempo o foco se mantém). A motivação não se confunde com desempenho e não responde sozinha por ele. E as teorias se dividem em duas linhas: as de conteúdo (o QUE motiva) e as de processo (COMO a motivação ocorre).

Neste artigo

  1. O conceito de motivação
  2. Os três elementos: direção, intensidade e persistência
  3. Motivação não é desempenho
  4. De onde vem a motivação
  5. O ciclo motivacional
  6. O mapa das teorias
  7. Perguntas frequentes

1. O conceito de motivação

Não existe uma única forma correta de conceituar motivação. Cada autor destaca um aspecto do fenômeno, e vale conhecer mais de um, porque as provas costumam cobrar justamente o recorte de um autor específico.

Maximiano propõe que motivação para o trabalho é um estado psicológico de disposição, interesse ou vontade de perseguir ou realizar uma tarefa ou meta. Dizer que alguém está motivado para o trabalho é dizer que essa pessoa apresenta disposição favorável para realizá-lo.

Griffin e Moorhead destacam outro ponto, o de que a motivação vem antes do comportamento: motivação é o conjunto de forças que leva as pessoas a se engajarem em algum tipo de comportamento em vez de qualquer outro comportamento alternativo.

Juntando os dois, chegamos ao essencial: motivação é um estado psicológico de disposição (vontade de fazer) que nos conduz a empreender algum comportamento, seja realizar uma tarefa, seja alcançar uma meta. De forma bem simples: motivação é o conjunto de motivos que leva alguém a se comportar de determinada maneira.

A motivação é específica. Não existe um estado geral de motivação. É perfeitamente possível que uma pessoa esteja motivada para estudar e não esteja motivada para trabalhar. Esse detalhe já foi cobrado várias vezes, então grave: motivação sempre se refere a um comportamento específico.

2. Os três elementos: direção, intensidade e persistência

Conceitos mais analíticos revelam os componentes da motivação. Chiavenato a define como o desejo de exercer elevados níveis de energia mental em direção a determinados objetivos, condicionados pela capacidade de satisfazer também as necessidades individuais. Robbins e Judge definem como os processos que representam a intensidade, a direção e a persistência de um indivíduo para alcançar uma meta.

Repare que os dois descrevem os mesmos elementos, só mudando o nome. A nomenclatura de Robbins é a mais usual em prova.

Elemento (Robbins)Sinônimo (Chiavenato)O que significa
DireçãoObjetivoOnde está o foco do comportamento, qual é o objetivo a ser alcançado.
IntensidadeEnergia, esforçoA força e o esforço aplicados na direção definida.
PersistênciaNecessidade, permanênciaPor quanto tempo a pessoa consegue manter o foco do comportamento.
Cuidado com a pegadinha da ativação. A ativação não é o objeto ou alvo da ação humana, esse é o papel da direção. A ativação corresponde ao estado inicial do indivíduo, onde está a estimulação, que pode ser intrínseca ou extrínseca.

3. Motivação não é desempenho

Aqui mora um dos erros mais comuns. A motivação influencia o desempenho, ou seja, exerce algum nível de impacto sobre ele. Mas ela não é o único antecedente do desempenho.

Robbins propõe que o desempenho é produto da motivação e da capacidade do indivíduo, acrescidas da oportunidade, que é a circunstância ambiental que torna possível ao indivíduo exercer sua motivação e sua capacidade.

O que você não pode esquecer: (a) motivação não se confunde com desempenho; (b) estar motivado não é suficiente para ter um bom desempenho.

4. De onde vem a motivação

A motivação é um processo interno ou uma resposta a um estímulo externo? A literatura trabalha com três posições.

Motivação extrínseca

  • Depende de estímulo externo: recompensa ou punição;
  • Caberia à organização e aos líderes criar as condições que motivam;
  • Exemplo clássico: prêmio de vendas para vendedores;
  • São motivos externos as recompensas e punições do ambiente, os padrões do grupo de colegas, os valores do meio social e as oportunidades de carreira.

Motivação intrínseca

  • Depende de um processo individual e interno;
  • Não são as condições em si, mas a forma como a pessoa lida com elas;
  • Exemplo: treinamentos de desenvolvimento pessoal, que buscam a automotivação;
  • São motivos internos as necessidades, aptidões, interesses, valores e habilidades, ou seja, os impulsos interiores de natureza fisiológica e psicológica.

Existe ainda a corrente intermediária, hoje majoritária, que enxerga a motivação como produto de uma interação complexa entre motivos internos e estímulos externos. Maximiano se filia a essa posição: a motivação para o trabalho resulta dessa interação, e todos esses motivos se combinam de forma complexa para influenciar o desempenho.

Onde a prova pega: classificar um exemplo como motivo interno ou externo. Valores do meio social e estímulos do chefe e dos colegas são externos. Necessidades, aptidões, interesses e habilidades da pessoa são internos.

5. O ciclo motivacional

A motivação humana é cíclica. Pesquisas longitudinais mostraram que, mesmo sem mudanças significativas no trabalho, a mesma pessoa apresenta níveis diferentes de motivação ao longo do tempo. O trabalho que um dia pareceu maravilhoso pode virar um fardo.

O processo motivacional, também chamado de ciclo motivacional, é o modelo mental que os pesquisadores criaram para descrever os estágios psicológicos e os comportamentos que as pessoas assumem na busca por satisfazer necessidades. Em concursos, prevalece o modelo de Chiavenato, com seis estágios.

Equilíbrio interno Estímulo ou incentivo Necessidade Tensão Comporta- mento Satisfação retorno ao equilíbrio e início de um novo ciclo Barreira (elemento eventual) dificulta ou impede a satisfação
O ciclo motivacional segundo Chiavenato, com a barreira como elemento eventual.
  1. Equilíbrio interno: o organismo está tranquilo, em estado de equilíbrio.
  2. Estímulo ou incentivo: algum estímulo interno ou externo rompe esse equilíbrio.
  3. Necessidade: diante do estímulo, a pessoa percebe ou cria uma necessidade.
  4. Tensão: a necessidade causa tensão, insatisfação, desconforto e desequilíbrio.
  5. Comportamento ou ação: a tensão leva a pessoa a adotar um comportamento capaz de descarregá-la, buscando satisfazer a necessidade.
  6. Satisfação: se o comportamento for bem-sucedido, a necessidade é satisfeita e a pessoa retorna ao equilíbrio interno.

Quando a necessidade não é satisfeita

Nem sempre a necessidade pode ser satisfeita. Sem satisfação, a tensão fica represada e provoca efeitos psicológicos (agressividade, tensão emocional, descontentamento, indiferença) e fisiológicos (insônia, repercussões cardíacas ou digestivas). Para evitar esses efeitos, muitas pessoas compensam a necessidade não satisfeita transferindo o desejo para outro objeto, pessoa ou situação.

Satisfeita, frustrada ou compensada. Uma necessidade pode ter três destinos, e não apenas dois. A frustração é a impossibilidade de satisfazer a necessidade, e nela não há liberação da tensão. A compensação é satisfazer outra necessidade, substitutiva, para reduzir a intensidade da original. É o clássico "afogar as mágoas no pote de sorvete": a necessidade original era resolver o problema, e a fome entrou como necessidade compensada.

Duas consequências que caem muito: uma necessidade satisfeita deixa de motivar o comportamento, e o comportamento individual é uma sequência contínua e incessante de ciclos motivacionais, que se sucedem indefinidamente.

Por fim, a barreira (ou obstáculo) é um elemento eventual, ou seja, não está sempre presente. É o evento ou circunstância que dificulta ou impede a satisfação. Ela pode ser posicionada entre o comportamento e a satisfação, quando apenas dificulta, ou como etapa final após a tensão, quando impossibilita por completo.

6. O mapa das teorias

A motivação é um fenômeno complexo, e os estudos se dividiram em duas linhas teóricas básicas. Saber essa divisão resolve sozinha um bom número de questões.

Divergência entre autores. Não há consenso doutrinário sobre esse enquadramento. A teoria do reforço de Skinner, por exemplo, traz ao mesmo tempo elementos de conteúdo (o que motiva) e de processo (como a motivação ocorre). A classificação acima segue o enquadramento adotado, em regra, pelas bancas.

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Perguntas frequentes

Quais são os três elementos da motivação?
Direção (o foco, o objetivo), intensidade (o esforço aplicado) e persistência (por quanto tempo o foco se mantém).
Motivação é a mesma coisa que desempenho?
Não. A motivação influencia o desempenho, mas não responde sozinha por ele: o desempenho depende também da capacidade e da oportunidade.
Quais são as etapas do ciclo motivacional?
Equilíbrio interno, estímulo, necessidade, tensão, comportamento e satisfação. A barreira é elemento eventual.
Uma necessidade satisfeita continua motivando?
Não. Uma vez satisfeita, ela deixa de motivar o comportamento, e um novo ciclo se inicia.
Qual a diferença entre teorias de conteúdo e de processo?
As de conteúdo explicam o QUE motiva (Maslow, Herzberg, Alderfer, McGregor, McClelland). As de processo explicam COMO a motivação ocorre (Vroom, Adams, Locke, autoeficácia, Skinner).
MS

Prof. Marcelo Soares — professor de Administração e Auditoria para concursos, auditor da CGE-MT (Controladoria-Geral do Estado de Mato Grosso), com quase 10 anos de experiência na área de controle interno e aprovado em 10 concursos públicos.