Motivação no trabalho: conceito, ciclo motivacional e teorias
Motivação é um dos assuntos mais cobrados de Gestão de Pessoas, e também um dos que mais gera erro por excesso de senso comum. Antes de decorar Maslow e Herzberg, você precisa dominar três coisas: o que é motivação, de onde ela vem e como funciona o ciclo motivacional. É isso que este guia resolve.
Neste artigo
1. O conceito de motivação
Não existe uma única forma correta de conceituar motivação. Cada autor destaca um aspecto do fenômeno, e vale conhecer mais de um, porque as provas costumam cobrar justamente o recorte de um autor específico.
Maximiano propõe que motivação para o trabalho é um estado psicológico de disposição, interesse ou vontade de perseguir ou realizar uma tarefa ou meta. Dizer que alguém está motivado para o trabalho é dizer que essa pessoa apresenta disposição favorável para realizá-lo.
Griffin e Moorhead destacam outro ponto, o de que a motivação vem antes do comportamento: motivação é o conjunto de forças que leva as pessoas a se engajarem em algum tipo de comportamento em vez de qualquer outro comportamento alternativo.
Juntando os dois, chegamos ao essencial: motivação é um estado psicológico de disposição (vontade de fazer) que nos conduz a empreender algum comportamento, seja realizar uma tarefa, seja alcançar uma meta. De forma bem simples: motivação é o conjunto de motivos que leva alguém a se comportar de determinada maneira.
2. Os três elementos: direção, intensidade e persistência
Conceitos mais analíticos revelam os componentes da motivação. Chiavenato a define como o desejo de exercer elevados níveis de energia mental em direção a determinados objetivos, condicionados pela capacidade de satisfazer também as necessidades individuais. Robbins e Judge definem como os processos que representam a intensidade, a direção e a persistência de um indivíduo para alcançar uma meta.
Repare que os dois descrevem os mesmos elementos, só mudando o nome. A nomenclatura de Robbins é a mais usual em prova.
| Elemento (Robbins) | Sinônimo (Chiavenato) | O que significa |
|---|---|---|
| Direção | Objetivo | Onde está o foco do comportamento, qual é o objetivo a ser alcançado. |
| Intensidade | Energia, esforço | A força e o esforço aplicados na direção definida. |
| Persistência | Necessidade, permanência | Por quanto tempo a pessoa consegue manter o foco do comportamento. |
3. Motivação não é desempenho
Aqui mora um dos erros mais comuns. A motivação influencia o desempenho, ou seja, exerce algum nível de impacto sobre ele. Mas ela não é o único antecedente do desempenho.
Robbins propõe que o desempenho é produto da motivação e da capacidade do indivíduo, acrescidas da oportunidade, que é a circunstância ambiental que torna possível ao indivíduo exercer sua motivação e sua capacidade.
4. De onde vem a motivação
A motivação é um processo interno ou uma resposta a um estímulo externo? A literatura trabalha com três posições.
Motivação extrínseca
- Depende de estímulo externo: recompensa ou punição;
- Caberia à organização e aos líderes criar as condições que motivam;
- Exemplo clássico: prêmio de vendas para vendedores;
- São motivos externos as recompensas e punições do ambiente, os padrões do grupo de colegas, os valores do meio social e as oportunidades de carreira.
Motivação intrínseca
- Depende de um processo individual e interno;
- Não são as condições em si, mas a forma como a pessoa lida com elas;
- Exemplo: treinamentos de desenvolvimento pessoal, que buscam a automotivação;
- São motivos internos as necessidades, aptidões, interesses, valores e habilidades, ou seja, os impulsos interiores de natureza fisiológica e psicológica.
Existe ainda a corrente intermediária, hoje majoritária, que enxerga a motivação como produto de uma interação complexa entre motivos internos e estímulos externos. Maximiano se filia a essa posição: a motivação para o trabalho resulta dessa interação, e todos esses motivos se combinam de forma complexa para influenciar o desempenho.
5. O ciclo motivacional
A motivação humana é cíclica. Pesquisas longitudinais mostraram que, mesmo sem mudanças significativas no trabalho, a mesma pessoa apresenta níveis diferentes de motivação ao longo do tempo. O trabalho que um dia pareceu maravilhoso pode virar um fardo.
O processo motivacional, também chamado de ciclo motivacional, é o modelo mental que os pesquisadores criaram para descrever os estágios psicológicos e os comportamentos que as pessoas assumem na busca por satisfazer necessidades. Em concursos, prevalece o modelo de Chiavenato, com seis estágios.
- Equilíbrio interno: o organismo está tranquilo, em estado de equilíbrio.
- Estímulo ou incentivo: algum estímulo interno ou externo rompe esse equilíbrio.
- Necessidade: diante do estímulo, a pessoa percebe ou cria uma necessidade.
- Tensão: a necessidade causa tensão, insatisfação, desconforto e desequilíbrio.
- Comportamento ou ação: a tensão leva a pessoa a adotar um comportamento capaz de descarregá-la, buscando satisfazer a necessidade.
- Satisfação: se o comportamento for bem-sucedido, a necessidade é satisfeita e a pessoa retorna ao equilíbrio interno.
Quando a necessidade não é satisfeita
Nem sempre a necessidade pode ser satisfeita. Sem satisfação, a tensão fica represada e provoca efeitos psicológicos (agressividade, tensão emocional, descontentamento, indiferença) e fisiológicos (insônia, repercussões cardíacas ou digestivas). Para evitar esses efeitos, muitas pessoas compensam a necessidade não satisfeita transferindo o desejo para outro objeto, pessoa ou situação.
Duas consequências que caem muito: uma necessidade satisfeita deixa de motivar o comportamento, e o comportamento individual é uma sequência contínua e incessante de ciclos motivacionais, que se sucedem indefinidamente.
Por fim, a barreira (ou obstáculo) é um elemento eventual, ou seja, não está sempre presente. É o evento ou circunstância que dificulta ou impede a satisfação. Ela pode ser posicionada entre o comportamento e a satisfação, quando apenas dificulta, ou como etapa final após a tensão, quando impossibilita por completo.
6. O mapa das teorias
A motivação é um fenômeno complexo, e os estudos se dividiram em duas linhas teóricas básicas. Saber essa divisão resolve sozinha um bom número de questões.
Teorias de conteúdo: o QUE motiva
Teorias de processo: COMO ocorre
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- Quais são os três elementos da motivação?
- Direção (o foco, o objetivo), intensidade (o esforço aplicado) e persistência (por quanto tempo o foco se mantém).
- Motivação é a mesma coisa que desempenho?
- Não. A motivação influencia o desempenho, mas não responde sozinha por ele: o desempenho depende também da capacidade e da oportunidade.
- Quais são as etapas do ciclo motivacional?
- Equilíbrio interno, estímulo, necessidade, tensão, comportamento e satisfação. A barreira é elemento eventual.
- Uma necessidade satisfeita continua motivando?
- Não. Uma vez satisfeita, ela deixa de motivar o comportamento, e um novo ciclo se inicia.
- Qual a diferença entre teorias de conteúdo e de processo?
- As de conteúdo explicam o QUE motiva (Maslow, Herzberg, Alderfer, McGregor, McClelland). As de processo explicam COMO a motivação ocorre (Vroom, Adams, Locke, autoeficácia, Skinner).