Pirâmide de Maslow: a hierarquia das necessidades explicada
É a teoria de motivação mais conhecida do mundo e uma das mais cobradas em prova. O problema é que quase todo mundo decora a pirâmide e erra a questão, porque o que a banca cobra não é a ordem dos níveis, e sim as duas regras que fazem a hierarquia funcionar.
Neste artigo
1. As duas regras da hierarquia
Abraham Maslow levantou a hipótese de que todo ser humano possui um conjunto de cinco categorias de necessidades, e que a busca por satisfazê-las explicaria o comportamento e a motivação. Só que essa busca não acontece de qualquer jeito. A teoria propõe duas regras centrais:
- Existe uma hierarquia entre as necessidades, ou seja, existem necessidades mais prementes (mais urgentes) do que outras.
- Uma necessidade substancialmente satisfeita não é mais motivadora. Quando ela é atendida, a próxima da hierarquia passa a ser dominante e a explicar o comportamento.
É a combinação das duas que produz o efeito de escada: a pessoa é motivada primeiro pelas necessidades fisiológicas; satisfeitas elas, as de segurança passam a predominar; satisfeitas essas, entram as sociais, e assim sucessivamente.
2. A pirâmide, nível por nível
A representação mais popular da teoria é a pirâmide. As necessidades primárias (fisiológicas e de segurança) têm precedência sobre as secundárias (sociais, estima e autorrealização).
3. Características de cada necessidade
| Categoria | Características e exemplos |
|---|---|
| Fisiológicas | Nível mais baixo. São necessidades inatas, também chamadas de biológicas ou básicas, e exigem satisfação cíclica e reiterada para garantir a sobrevivência. Orientam a vida desde o nascimento. Sua principal característica é a premência: quando não estão satisfeitas, dominam a direção do comportamento. Exemplos: fome, sede, sono, repouso, sexo. |
| Segurança | Segundo nível. Levam a pessoa a proteger-se de qualquer perigo real ou imaginário, físico ou abstrato. Manifestam-se na busca de proteção contra ameaça ou privação, na fuga ao perigo e na busca de um mundo ordenado e previsível. Exemplos: proteção, inexistência de perigo, emprego seguro, casa própria. |
| Sociais (ou de pertencimento) | Ligadas à vida associativa junto a outras pessoas: associação, participação, amizade, aceitação pelos colegas, afeto e amor. Quando não estão satisfeitas, a pessoa tende a adotar posição antagônica e hostil com quem a cerca, e a frustração conduz à falta de adaptação social e à solidão. Exemplos: afeto, amizade, participação em grupos, chefia amigável. |
| Estima | Subdividem-se em dois grupos: autoestima (autoconfiança, autoconceito, o valor que a pessoa dá a si mesma) e necessidades ligadas à reputação (status, reconhecimento, prestígio). A frustração produz sentimentos de inferioridade, fraqueza e desamparo. |
| Autorrealização | As mais elevadas, no topo da hierarquia. Relacionam-se com realizar o próprio potencial e desenvolver-se continuamente, com o impulso de tornar-se mais do que se é. Dependem de recompensas dadas intrinsecamente pela própria pessoa, como o sentimento de realização, e por isso não são observáveis nem controláveis por outros. Exemplos: crescimento, desenvolvimento, sucesso pessoal. |
4. A divergência do abrigo
- 1ª corrente (majoritária): abrigo é necessidade de segurança, posição de Chiavenato;
- 2ª corrente: abrigo é necessidade fisiológica, posição de Robbins e Judge.
5. Por que a teoria é frágil cientificamente
Apesar de amplamente difundida, a hierarquia das necessidades não teve validação empírica. Quando a teoria foi testada por pesquisas em empresas reais, os resultados não deram suporte às hipóteses de Maslow. Do ponto de vista científico, ela é bastante frágil.
Uma das pesquisas que a refutou mapeou a influência dos traços culturais nas necessidades humanas e mostrou que a ordem dos níveis muda conforme o país:
- No Japão, Grécia e México, há forte aversão à incerteza, de modo que as necessidades de segurança estariam mais acima na pirâmide;
- Na Dinamarca, Suécia, Noruega, Holanda e Finlândia, as pessoas demonstraram grandes necessidades sociais, que portanto não estariam tão próximas da base.
Ou seja: desacreditada pela academia, mas continua sendo uma das favoritas das bancas e dos gestores. Para a prova, o que vale é a teoria como Maslow a formulou.
6. As pegadinhas de prova
- Várias necessidades ao mesmo tempo: afirmar que a pessoa pode apresentar necessidades fisiológicas, sociais e de estima simultaneamente contraria Maslow, porque na hierarquia apenas uma categoria é preponderante. Simultaneidade é característica da teoria ERC, de Alderfer.
- Necessidade satisfeita: uma vez substancialmente satisfeita, ela deixa de motivar. Se a questão disser que continua motivando, está errada.
- Ordem invertida: a sequência da base ao topo é fisiológicas, segurança, sociais, estima, autorrealização. Trocar estima e sociais de lugar é a inversão mais comum.
- Autorrealização e controle externo: ela depende de recompensas intrínsecas, então não é observável nem controlável por terceiros.
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- Quais são os 5 níveis da pirâmide de Maslow?
- Da base ao topo: fisiológicas, segurança, sociais (ou de pertencimento), estima e autorrealização.
- Quais são as necessidades primárias e secundárias?
- Primárias são as fisiológicas e as de segurança; secundárias são as sociais, de estima e de autorrealização. As primárias têm precedência.
- Pode haver necessidades de vários níveis ao mesmo tempo?
- Em Maslow, não: apenas uma categoria é preponderante. A simultaneidade é da teoria ERC, de Alderfer.
- Abrigo é fisiológica ou de segurança?
- Prevalece nas bancas a classificação como necessidade de segurança (Chiavenato). Robbins e Judge a tratam como fisiológica.
- A teoria de Maslow é comprovada?
- Não. Ela não obteve validação empírica, e pesquisas culturais mostraram que a ordem dos níveis varia entre países.