Auditoria Governamental · Consultoria

Tipos de consultoria: assessoramento, treinamento e facilitação

Por Prof. Marcelo Soares Auditor da CGE-MT Atualizado em 30/06/2026

O MOT descreve três tipos de consultoria — e o detalhe que a banca adora: eles não são excludentes. Numa mesma consultoria, pode haver um pouco de cada.

Resposta rápida: a consultoria pode ser de assessoramento (o tipo mais próximo da avaliação), treinamento (capacitação conduzida pelos auditores) e facilitação (mediação e apoio metodológico). Os três não são excludentes — podem coexistir num mesmo trabalho.

📺 Baseado na aula de Consultoria do Prof. Marcelo Soares — assista no YouTube ou comece pelo artigo sobre o que é consultoria.

Assessoramento

Orientações a questões da gestão. O mais próximo da avaliação; reporte mais padronizado.

Treinamento

Capacitação conduzida pelos auditores, disseminando boas práticas.

Facilitação

Mediação e apoio metodológico em grupos de trabalho e painéis técnicos.

Neste artigo

  1. Assessoramento
  2. A regra de ouro: nada de cogestão
  3. Treinamento
  4. Facilitação
  5. Os tipos não são excludentes
  6. Perguntas frequentes

1. Assessoramento

Os serviços de assessoramento (ou aconselhamento) caracterizam-se pela proposição de orientações em resposta às questões formuladas pela gestão. Assim como na avaliação você tem questões de auditoria, no assessoramento também há questões — só que formuladas por quem solicita a consultoria.

É o tipo que mais se aproxima da avaliação: tem reporte mais padronizado (em geral, um relatório), análise preliminar mais robusta, e olha para o todo — estabelecer padrões de controle, gestão de riscos, aprimorar a governança. A diferença, de novo, é a origem da demanda: aqui o escopo é acordado com a unidade auditada. Exemplos de questões:

2. A regra de ouro: nada de cogestão

Aqui está o ponto mais importante — e mais cobrado. O auditor nunca substitui o gestor na tomada de decisão. Isso caracterizaria cogestão, e é vedado por todos os padrões globais. Por isso, o assessoramento não responde a pedidos de autorização do tipo "posso fazer isso? sim ou não?".

Por que não pode: a tomada de decisão é competência exclusiva do gestor. O produto da consultoria é fornecer metodologias alternativas e estudo técnico para subsidiar a decisão — não dizer exatamente o que fazer. Se o auditor desse esse aval, a unidade perderia a independência para avaliar aquilo depois (você não pode dizer que está errado o que você mesmo mandou fazer).

O assessoramento responde a questões como: quais padrões de controle podem ser desenvolvidos? Quais os riscos e implicações? Quais opções para aumentar a eficiência? Quais alternativas no desenho de uma política? Sempre com o olhar do todo, para melhorar a governança — o mesmo olhar da avaliação.

3. Treinamento

O treinamento é uma ação de capacitação conduzida pelos próprios auditores. Por que a unidade de auditoria se sente preparada para isso? Porque o auditor, ao circular por vários órgãos, domina temas transversais — gestão de riscos, controles internos, governança, contratações — e identifica boas práticas que pode levar de um órgão a outro (atua como agente de disseminação de benchmark).

Exemplos de treinamento (orientações práticas da CGU): capacitação sobre gestão de riscos com base na ISO 31000, sobre controles internos, sobre gestão de riscos em aquisições, gestão de contratos e licitações. Ao disseminar esse conhecimento, o auditor melhora a capacidade da estrutura funcionar, reduz a probabilidade de erros e, com isso, a de fraudes.

Comunicação no treinamento: diferente do assessoramento, não há um reporte padronizado. O produto pode ser o material/slide, a documentação dos treinamentos, a lista de presença — não um relatório de auditoria.

4. Facilitação

A facilitação é uma mediação. Na prática, ocorre quando o auditor participa de um grupo de trabalho, de um painel técnico ou de uma discussão, atuando como apoio metodológico — tirando dúvidas sobre conteúdo, metodologias e frameworks (como implantar gestão de riscos, como desenhar controles). É como um "escritório de projetos" que fornece métodos e boas práticas.

Exemplos: ajudar a unidade a preencher questionários de maturidade de gestão/riscos enviados por órgãos centrais (TCU, MGI); apoiar o desenho de processos e o aperfeiçoamento de uma política. Outro caso recorrente: numa auditoria do TCU sobre eficiência hospitalar, feita em rede, a controladoria estadual facilita a coleta de dados junto aos gestores dos hospitais — esclarecendo conceitos para que respondam corretamente (sem substituir o respondente). Auditores também participam como ouvintes/consultores em conselhos de governança de estatais.

Mesmo cuidado: ao facilitar, o auditor deve abster-se de assumir qualquer responsabilidade que seja da gestão. O papel é de apoio metodológico e esclarecimento — nunca de cogestão.

5. Os tipos não são excludentes

Embora cada tipo tenha objetivos próprios, eles não se excluem. Numa mesma consultoria pode haver um pouco de assessoramento, um pouco de treinamento e um pouco de facilitação. Mais: um trabalho pode nascer como facilitação e virar assessoramento conforme a controladoria avança e entra mais a fundo no processo. Tudo é muito dialogado — e o objetivo pode ser renovado conforme a necessidade.

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Perguntas frequentes

Quais são os tipos de consultoria?
Assessoramento, treinamento e facilitação — não excludentes.
O que é cogestão?
É o auditor substituir o gestor na decisão. É vedada: o auditor fornece metodologias, não decide.
Qual tipo mais se parece com a avaliação?
O assessoramento — mesmo olhar do todo, mas com escopo acordado.
MS

Prof. Marcelo Soares — professor de Administração e Auditoria para concursos, auditor da CGE-MT (Controladoria-Geral do Estado de Mato Grosso), com quase 10 anos de experiência na área de controle interno e aprovado em 10 concursos públicos.