Etapas da consultoria: termo, comunicação, divulgação e o que fazer se achar ilegalidade
As etapas da consultoria são as mesmas da avaliação — mas com particularidades importantes: um termo que formaliza o acordo, regras próprias de comunicação e divulgação, e um procedimento específico para quando o auditor tropeça em algo ilegal.
📺 Baseado na aula de Consultoria do Prof. Marcelo Soares — assista no YouTube.
Neste artigo
1. As etapas (iguais às da avaliação)
As etapas da consultoria são basicamente as mesmas da avaliação: planejamento, execução, comunicação e monitoramento. E, como na avaliação, existe um planejamento anterior — o plano da unidade (na CGU, o PAINT), onde se define quais avaliações, consultorias e apurações serão feitas. (Veja em detalhe no artigo do planejamento da avaliação.)
A diferença não está nos nomes das etapas, e sim em como cada uma se concretiza — porque, na consultoria, quase tudo é acordado com a unidade auditada.
2. O termo de consultoria
Diferente da avaliação — em que escopo, natureza, prazo e expectativas são definidos pela própria unidade de auditoria — na consultoria isso é negociado com a unidade auditada. Por isso, no planejamento individual da consultoria, formaliza-se um termo de consultoria (as orientações práticas da CGU trazem inclusive um modelo).
3. Comunicação e divulgação
Comunicação. Na avaliação, o formato já é dado: o produto é um relatório de auditoria. Na consultoria, não. Uma consultoria de treinamento ou de facilitação pode nem ter relatório. Por isso, no planejamento, combina-se como e quando a comunicação vai acontecer.
Divulgação. Aqui há uma regra específica. Os relatórios de avaliação, por seu papel de accountability (prestação de contas ao cidadão), são, em regra, publicados. Mas quando a consultoria fundamenta uma decisão do gestor, ela só pode ser divulgada depois que esse ato for publicado — porque, até lá, é considerado ato preparatório.
4. Monitoramento
O monitoramento nem sempre acontece na consultoria — e isso também é definido no termo. Quando ocorre, tende a ser mais simples que o da avaliação: por exemplo, apenas verificar se o programa que você ajudou a desenhar foi de fato implantado (se o ato foi publicado).
5. E se aparecer uma ilegalidade?
A consultoria pressupõe a integridade do gestor — é uma relação de apoio e confiança. Mas, e se no meio do caminho o auditor identificar atos ilegais ou irregulares? Calma: não se sai "tocando fogo em tudo". O MOT descreve a prática.
O seu papel como equipe é dar conhecimento ao supervisor do trabalho (a chefia). Em conjunto, definem-se as medidas, conforme a extensão da irregularidade:
- Pontual: pode resolver com uma nota de auditoria ("resolva isto aqui").
- Maior: suspende a consultoria e abre um trabalho de apuração, com escopo definido — pode ser a mesma equipe ou uma equipe especializada.
- Grave / alta administração envolvida: interrompe a consultoria de vez. Se há envolvimento substancial do secretário/ministro, falta o compromisso com a integridade que a consultoria pressupõe — então não se presta consultoria a esse gestor; trabalha-se só com a apuração.
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- Quais são as etapas da consultoria?
- Planejamento, execução, comunicação e monitoramento — as mesmas da avaliação.
- Quando se divulga a consultoria?
- Quando fundamenta uma decisão do gestor, só depois que o ato for publicado (até lá é ato preparatório).
- Achou ilegalidade, e agora?
- Comunica o supervisor; em conjunto decidem entre nota de auditoria, suspender e apurar, ou interromper.