O planejamento da avaliação: plano da unidade, análise preliminar e matriz de riscos
A auditoria é um processo sistemático e documentado — você não avalia de qualquer jeito. O planejamento é a etapa que mais exige do auditor, e é onde se decide, com método, o que realmente vale a pena avaliar.
📺 Baseado na aula de Avaliação do Prof. Marcelo Soares — assista no YouTube.
Neste artigo
1. Antes de tudo: o plano da unidade (PAINT)
Antes de qualquer auditoria específica, existe o plano da UAIG — o plano de toda a unidade de auditoria interna. Na CGU, ele é o PAINT (Plano Anual de Auditoria Interna). A CGE-MT também faz o seu plano anual. Em geral, esses planos são anuais (no máximo bianuais) — não é comum planos de auditoria muito longos.
Para montar esse plano, parte-se do universo de auditoria: tudo o que a unidade pode avaliar, mapeado a partir do PPA (todas as principais políticas). Desse universo, a unidade seleciona uma parte — usando critérios de risco, materialidade, tempestividade e oportunidade — e define o que vai avaliar naquele ano.
Aprovado o plano, começa a execução do plano: emitem-se as ordens de serviço (autorizações de serviço), que designam quais auditores são responsáveis por avaliar cada objeto. É aí que uma auditoria específica começa.
2. As quatro etapas da avaliação
Dentro de uma auditoria individual, as etapas são quatro:
Neste artigo aprofundamos o planejamento. A execução, a comunicação e o monitoramento estão detalhados no artigo seguinte.
3. A análise preliminar
O planejamento individual começa com a análise preliminar — e aqui está a maior parte do seu tempo. O objetivo é conhecer a política a fundo. Você faz muitas entrevistas (com secretários, gestores, quem executa), mapeia processos e documenta tudo num artefato chamado análise preliminar.
O que se levanta nessa etapa (exemplo com o Pé-de-Meia):
- qual o objetivo da política e quem ela quer atender;
- os critérios de elegibilidade e as partes interessadas relevantes;
- os sistemas envolvidos, que dados existem neles, e solicitar acesso;
- mapear os processos — é aqui que está o core, porque é mapeando que você identifica o que pode dar errado.
4. A matriz de riscos e controle
Com a política mapeada, você identifica os processos-chave e parte para a matriz de riscos e controle. A lógica:
- Objetivo do processo — ex.: identificar corretamente o público-alvo do programa.
- Risco — aquilo que pode acontecer e afetar o objetivo (ex.: pagar a quem não atende aos critérios). Lembre o conceito: risco é o que pode acontecer capaz de afetar o objetivo.
- Controle — pela ISO 31000, é uma medida capaz de modificar o risco (reduzir a probabilidade ou o impacto). Ex.: um cruzamento de dados para identificar elegíveis.
No modelo da CGU, separa-se o risco inerente (antes dos controles) do risco residual (depois de avaliar os controles):
Se os controles são robustos, você vai testá-los (testes de controle): por exemplo, verificar se o cruzamento de dados que identifica os elegíveis funciona de forma satisfatória, comparando com outras bases. Se esse cruzamento falha, pessoas não elegíveis entram na base e, lá na frente, geram pagamento indevido. Tudo isso é documentado na matriz de riscos e controle.
5. Auditoria baseada em riscos (ISO 31000)
Repare como o processo de auditoria espelha a gestão de riscos. A ISO 31000 (diretrizes gerais de gestão de riscos) descreve etapas que são exatamente as do processo de avaliação:
- entender o contexto ≈ a análise preliminar;
- identificar os riscos;
- analisar os riscos;
- analisar os controles associados;
- decidir — a questão de auditoria é uma tomada de decisão sobre qual risco avaliar.
É por isso que se diz que a CGU e as demais controladorias adotam o modelo de auditoria baseada em riscos: dentro do processo de auditoria, o auditor percorre, essencialmente, as etapas da gestão de riscos.
6. A matriz de planejamento
As questões de auditoria que saíram da matriz de riscos e controle vão para a matriz de planejamento (o programa de trabalho). Ela detalha cada questão de auditoria já com o escopo definido:
- O quê e quando: ex. avaliar os pagamentos do Pé-de-Meia no período de março a dezembro de 2026;
- Critérios: o que vai pautar o seu julgamento (a norma, ex. a Lei nº 14.818) — porque auditoria é objetiva, vale o que está na norma, não o que você "acha";
- Fontes de informação e como você vai fazer a avaliação (os testes);
- possíveis limitações, quem faz cada teste e em qual período.
Auditoria Governamental do conceito ao gabarito
PAINT, matriz de riscos, achados e todo o controle interno federal no curso de Auditoria da Faixa Preta.
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- Quais são as etapas da avaliação?
- Planejamento, execução, comunicação e monitoramento. O planejamento é o de maior esforço.
- O que é o PAINT?
- O Plano Anual de Auditoria Interna da CGU — o plano da unidade, que seleciona os objetos a avaliar a partir do universo de auditoria.
- Risco inerente x residual?
- Inerente é antes dos controles; residual é o que sobra depois de avaliá-los.