Auditoria Governamental · Avaliação

Execução, comunicação e monitoramento da avaliação: achados e recomendações

Por Prof. Marcelo Soares Auditor da CGE-MT Atualizado em 30/06/2026

Feito o planejamento, a auditoria entra na parte que dá resultado visível: executar os testes, registrar os achados, comunicar tudo num relatório com recomendações e, depois, monitorar se elas foram implantadas.

Resposta rápida: na execução você aplica os testes e registra os achados (sempre amparados por evidências). Na comunicação, produz o relatório e as recomendações, discutidas com a unidade auditada. No monitoramento, verifica se as recomendações foram implantadas e registra os benefícios.

📺 Baseado na aula de Avaliação do Prof. Marcelo Soares — assista no YouTube. Veja antes o planejamento da avaliação.

Neste artigo

  1. Execução: testes e achados
  2. A estrutura do achado
  3. Comunicação: relatório e recomendações
  4. Monitoramento
  5. Perguntas frequentes

1. Execução: testes e achados

Na execução, você aplica os testes que planejou na matriz de planejamento e registra os achados. E o que é um achado? É o resultado da comparação entre o que você encontrou nos testes (a situação encontrada) e o que deveria ser (o critério).

Lembre que os critérios — as normas e regulamentos — foram definidos lá no planejamento. Exemplo: o Pé-de-Meia define que, para receber a parcela, o aluno precisa de 75% de frequência. Se um aluno tem 60% de frequência e recebeu, isso dá origem a um achado: há uma diferença entre o que é e o que deveria ser.

Tudo amparado por evidências: você não pode dizer "o pagamento é indevido" e ponto. Precisa documentar com base em evidências, nos papéis de trabalho: fulana recebeu isso, com base na norma tal ela não deveria receber, por isso. É o que dá consistência e suporte ao achado.

2. A estrutura do achado

Não basta dizer que está errado e por que está errado. Um achado bem construído tem quatro componentes:

A estrutura do achado de auditoria O achado nasce da diferença entre o critério (o que deve ser) e a situação encontrada (o que é). A ele se somam a causa (por que foi possível) e o efeito (a consequência). Critério o que DEVE ser (norma) Situação encontrada o que É (no teste) Achado = diferença Causa: por que foi possível Efeito: a consequência
O achado documenta a diferença entre o que é e o que deve ser — sempre com causa, efeito e evidências.

Você tem que ir até a causa (por que isso foi possível) e descrever os efeitos (a consequência). Ex.: pagou quem não deveria, por uma vulnerabilidade no sistema, e isso causou um pagamento indevido de tantos mil reais. Tudo documentado ponto a ponto, sempre amparado por evidências.

3. Comunicação: relatório e recomendações

Executados os testes, você comunica os resultados. No relatório, descreve as situações encontradas, o que foi feito, as conclusões e opiniões geradas, e apresenta recomendações — como aquela política pode funcionar melhor.

Um ponto importante das boas práticas e do manual da CGU: os achados e recomendações devem ser discutidos com a unidade auditada. Esse diálogo evita que você coloque uma opinião inadequada no relatório — a unidade pode apontar que faltou considerar algo, ou apresentar documentação que muda a análise (e o que parecia achado, afinal, tem justificativa).

O auditor recomenda, não impõe. Ainda assim, a aderência costuma ser alta. Na CGE-MT, fica acima de 90% — porque as recomendações são objetivas, bem construídas e conversadas. Há também o peso do controle externo: quando o Tribunal de Contas avalia, costuma pedir os trabalhos do controle interno; descumprir recomendação chama mais atenção e tem consequências na avaliação das contas.

4. Monitoramento

O trabalho não acaba no relatório final. No monitoramento, você verifica se as recomendações estão sendo implantadas e registra os benefícios financeiros e não financeiros obtidos com a implantação.

É também aqui que você, como auditor, descobre se a sua recomendação era boa — se trouxe os benefícios esperados. Ou seja, o monitoramento também te melhora como profissional e permite avaliar o impacto do trabalho da própria unidade de auditoria.

Recapitulando as 4 etapas: planejamento (o maior esforço: análise preliminar, matriz de riscos e controle, matriz de planejamento) → execução (testes → evidências → achados) → comunicação (relatório discutido + recomendações) → monitoramento (implantação + benefícios).

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Perguntas frequentes

O que é um achado?
A diferença entre a situação encontrada (o que é) e o critério (o que deve ser), sempre amparada por evidências.
Quais os componentes do achado?
Critério, situação encontrada, causa e efeito.
O auditor pode impor mudanças?
Não — ele recomenda. Mas a aderência é alta, e descumprir recomendação pesa na avaliação do Tribunal de Contas.
MS

Prof. Marcelo Soares — professor de Administração e Auditoria para concursos, auditor da CGE-MT (Controladoria-Geral do Estado de Mato Grosso), com quase 10 anos de experiência na área de controle interno e aprovado em 10 concursos públicos.