O serviço de avaliação na auditoria governamental: o que é e para que serve
A avaliação é a vertente mais ampla — e a mais cobrada — da auditoria interna governamental. É por meio dela que o auditor dá uma opinião independente sobre um contrato, um processo ou uma política inteira, e ajuda a fazer essa política funcionar melhor.
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Este artigo é baseado na aula de Avaliação do Prof. Marcelo Soares. Assista abaixo (ou direto no YouTube):
Neste artigo
1. O conceito: um serviço de asseguração
O trabalho de avaliação, como parte das atividades de auditoria interna, pode ser definido como a obtenção e análise de evidências com o objetivo de fornecer opiniões ou conclusões sobre um objeto. Em outras palavras, é um serviço de asseguração: o papel do auditor é fornecer maior confiabilidade sobre aquele objeto de auditoria.
Por que isso importa? Porque a opinião do gestor sobre o próprio trabalho é, naturalmente, parcial. Se você perguntar ao Ministro da Educação se o programa Pé-de-Meia é bom, ele vai dizer que é maravilhoso. A avaliação existe justamente para entregar uma opinião objetiva e separada de quem produz e conduz a política. O auditor entra para responder, com técnica: esse programa funciona ou não? O que funciona? O que precisa melhorar?
2. O objeto da avaliação é amplo
O conceito de avaliação é amplo de propósito — ele é genérico para dar flexibilidade ao AIG (a unidade de auditoria interna) na hora de planejar o trabalho. Por isso, o objeto de uma avaliação pode variar bastante de tamanho:
- um contrato específico (escopo reduzido);
- um processo dentro da organização;
- uma política pública como um todo (por exemplo, avaliar o programa Pé-de-Meia ou o Bolsa Família).
Essa elasticidade é o que permite à unidade decidir se vai fazer uma avaliação enxuta de um único contrato ou uma avaliação ampla de uma política inteira — sempre conforme o que ela priorizou no seu planejamento.
3. Para que serve: adicionar valor à tríade
O papel de um serviço de avaliação é sempre adicionar valor à tríade em que a auditoria atua: governança, gestão de riscos e controles internos. Ou seja, o trabalho de avaliação deve fomentar melhorias nessas três frentes — aperfeiçoar como as coisas funcionam dentro da organização.
O auditor não está ali apenas para "pegar" um erro pontual; está para melhorar o funcionamento de processos, controles e da governança. É essa visão que transforma um achado isolado em uma melhoria estrutural.
4. O pulo do gato: olhar para as causas
Aqui está o que diferencia uma boa avaliação. Mais importante do que identificar que a "Dona Maria" recebeu um Bolsa Família que não deveria — o que tem a sua relevância, claro — é entender as causas: como foi possível que esse pagamento indevido acontecesse? Onde os controles falharam? Onde a governança falhou?
Foi um problema no sistema? No cruzamento de dados da Receita Federal? Uma vulnerabilidade no cadastro do Cadastro Único — é fácil demais cadastrar um beneficiário ali? O auditor parte do caso específico, mas só como ponto de partida para resolver as vulnerabilidades de governança, controles internos e gestão de riscos que tornaram o erro possível.
Auditoria Governamental do conceito ao gabarito
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- O que é o serviço de avaliação?
- A obtenção e análise de evidências para fornecer uma opinião ou conclusão sobre um objeto de auditoria — um serviço de asseguração, que dá confiabilidade ao objeto.
- O que pode ser o objeto?
- Um contrato, um processo ou uma política pública inteira. O conceito é amplo para dar flexibilidade ao planejamento.
- Por que olhar para as causas?
- Porque corrigir a vulnerabilidade que gerou o erro (governança, riscos, controles) evita que o problema se repita — é aí que a avaliação adiciona valor.