Auditoria Governamental · Gerenciamento

PGMQ: o programa de gestão e melhoria da qualidade da auditoria interna

Por Prof. Marcelo Soares Auditor da CGE-MT Atualizado em 21/07/2026

É o capítulo que mais rende questão de detalhe, porque tem número: dois níveis de aplicação, duas espécies de avaliação interna, avaliação externa a cada cinco anos e comunicação pelo menos anual. A boa notícia é que a lógica por trás é simples: você só pode dizer que cumpre a norma se conseguir provar que cumpre.

Resposta rápida: O PGMQ é o programa que a unidade de auditoria mantém para avaliação e melhoria contínua dos processos de trabalho, dos produtos emitidos e da eficácia e eficiência da atividade. Ele se aplica em dois níveis (trabalhos individuais e a atividade como um todo) e prevê avaliações internas, que se dividem em monitoramento contínuo e avaliação periódica, e avaliações externas, que devem ocorrer pelo menos a cada 5 anos.

Neste artigo

  1. Finalidade e níveis de aplicação
  2. O IACM e a lógica de existência e institucionalização
  3. Os tipos de avaliação
  4. Monitoramento contínuo
  5. Avaliação periódica
  6. Avaliação externa
  7. Comunicação e declaração de conformidade
  8. Perguntas frequentes

1. Finalidade e níveis de aplicação

A unidade de auditoria interna governamental deve manter um Programa de Gestão e Melhoria da Qualidade para permitir a avaliação e a melhoria contínua dos processos de trabalho, dos produtos emitidos e da eficácia e eficiência da atividade de auditoria interna.

Na prática, é a auditoria auditando a si mesma: existe uma política de papéis de trabalho, mas ela está sendo seguida? Os papéis estão armazenados onde deveriam, estão referenciados, têm suficiência adequada? A supervisão está de fato ocorrendo? É isso que o PGMQ verifica.

Dois níveis de aplicação: o PGMQ atua no nível dos trabalhos individuais, ou seja, dentro de cada auditoria, e no nível da atividade de auditoria interna como um todo, olhando a unidade e como o serviço está estruturado.

É fundamental, ainda, que o programa inclua todas as fases da auditoria: planejamento, execução, comunicação e monitoramento.

2. O IACM e a lógica de existência e institucionalização

O PGMQ costuma ser estruturado com base no IACM, um modelo de maturidade da auditoria interna governamental de alcance global. A ideia de um modelo de maturidade é indicar em que grau de capacidade e proficiência está o serviço: uma unidade em nível superior tem processos mais padronizados, mais formalizados e mais rotinas estabelecidas.

O modelo é dividido em cinco níveis, e cada nível traz indicadores bem detalhados. Para demonstrar que estimula o desenvolvimento profissional, por exemplo, não basta afirmar: é preciso ter uma política determinando o número de horas de treinamento por servidor e, depois, comprovar que essa política é cumprida.

A chave do modelo: cada requisito é verificado em duas dimensões. A existência, ou seja, há norma prevendo que aquilo deve ser feito, e a institucionalização, ou seja, há evidência de que a norma é efetivamente cumprida. Ter a norma sem cumpri-la não conta.

A estrutura do PGMQ deve estabelecer a responsabilidade dos atores gerenciais e das equipes de auditoria, a frequência de realização das atividades e a comunicação dos resultados. Cada unidade regulamenta o seu programa conforme as suas especificidades, porque as estruturas e competências variam.

3. Os tipos de avaliação

PGMQ Avaliações internas Avaliações externas Monitoramento contínuo Avaliação periódica no mínimo a cada 5 anos permanente escopo mais amplo avaliador independente conduzidas pela própria unidade alguém de fora da unidade
As avaliações do PGMQ: internas (contínua e periódica) e externas.

4. Monitoramento contínuo

É um conjunto de atividades de caráter permanente, operacionalizado por meio de processos, práticas padronizadas, ferramentas, pesquisas de percepção e indicadores gerenciais. O objetivo é acompanhar o desenvolvimento das atividades para assegurar a conformidade com as normas profissionais e de conduta aplicáveis e a eficiência do processo.

A lógica é desenhar o processo de trabalho de modo que ele, por construção, já gere as evidências e force o cumprimento dos padrões. Se a norma prevê que o auditor elabore o relatório de análise preliminar, o sistema exige que esse documento seja anexado e validado pelo supervisor antes de o trabalho seguir.

Formas de realização

Indicadores mais citados: desempenho da unidade em relação ao plano de auditoria, ou seja, quanto do plano foi cumprido; grau de atendimento às recomendações; eficiência da força de trabalho alocada, considerando quantidade e relevância dos trabalhos; e os benefícios decorrentes da auditoria. Tudo isso serve para aferir se a unidade está cumprindo seu papel de adicionar valor.

O feedback dos gestores costuma acontecer em dois níveis: uma percepção ampla e anual, colhida junto à alta administração sobre a unidade como um todo, e uma avaliação pontual, ao final de cada trabalho, junto aos gestores que atuaram diretamente com a equipe.

5. Avaliação periódica

A avaliação periódica é mais ampla. Enquanto o monitoramento contínuo olha principalmente para o serviço de auditoria, a periódica avalia a unidade como um todo: o relacionamento do chefe da auditoria, a suficiência dos recursos, a política de desenvolvimento de pessoal, os sistemas de informação, o orçamento e o planejamento institucional.

Ela é realizada pela própria unidade ou por profissionais do órgão do qual ela faz parte, contempla todas as etapas do trabalho e fornece um diagnóstico sobre o desempenho e sobre os aspectos a serem melhorados.

Como não confundir: monitoramento contínuo é permanente e mira sobretudo o serviço de auditoria. Avaliação periódica é pontual no tempo e tem escopo muito mais amplo, indo além da auditoria em si, para os processos de gestão da unidade. As duas são internas.

6. Avaliação externa

A avaliação externa envolve a participação de alguém de fora da unidade e confere maior credibilidade ao resultado do programa. Deve ocorrer pelo menos uma vez a cada cinco anos e visa à obtenção de opinião independente sobre o conjunto geral dos trabalhos realizados e sobre a conformidade com os princípios e disposições da IN SFC nº 3/2017 e demais normas aplicáveis.

O que muda não é o escopo, é o avaliador. A avaliação externa pode seguir o mesmo referencial de maturidade usado internamente. A diferença é que quem executa é um profissional qualificado e independente da estrutura da unidade.

Duas regras completam o desenho:

7. Comunicação e declaração de conformidade

Definidos os critérios e realizadas as avaliações, os resultados precisam ser comunicados. Cabe ao responsável pela unidade apresentar pelo menos relatório anual sobre os resultados do programa, informando o nível de conformidade aos padrões e documentando as não conformidades. Se o programa constatou alto índice de descumprimento de uma norma, isso precisa ser reportado, e não escondido.

Sobre os instrumentos, o responsável deve definir aqueles pelos quais as avaliações internas serão realizadas, como roteiros, questionários e listas de verificação. As avaliações podem ser por amostra ou censo, conforme a capacidade operacional, e a escala de classificação deve preferencialmente utilizar padrões metodológicos consolidados nacional ou internacionalmente.

A regra de ouro da declaração de conformidade: a unidade somente deve declarar conformidade com o referencial técnico e com as normas internacionais se o PGMQ sustentar essa afirmação, considerando a escala de classificação adotada. Na prática, a declaração é um parágrafo no relatório de auditoria, e só pode entrar se houver programa de qualidade evidenciando o cumprimento. É a mesma lógica que percorre toda a atividade: você só afirma o que consegue provar com norma, documento e evidência.

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Perguntas frequentes

Qual a finalidade do PGMQ?
Avaliar e promover a melhoria contínua dos processos, dos produtos e da eficácia e eficiência da atividade de auditoria interna.
Quais são os tipos de avaliação do PGMQ?
Internas, subdivididas em monitoramento contínuo e avaliação periódica, e externas.
De quanto em quanto tempo a avaliação externa deve ocorrer?
Pelo menos uma vez a cada cinco anos.
Qual a diferença entre avaliação interna e externa?
Não é o escopo, é o avaliador: a externa é feita por alguém independente da estrutura da unidade.
Com que frequência os resultados do PGMQ devem ser comunicados?
Pelo menos anualmente, por meio de relatório do responsável pela unidade.
Quando a unidade pode declarar conformidade com as normas?
Só se o próprio PGMQ sustentar a afirmação, com evidências do cumprimento dos padrões.
MS

Prof. Marcelo Soares — professor de Administração e Auditoria para concursos, auditor da CGE-MT (Controladoria-Geral do Estado de Mato Grosso), com quase 10 anos de experiência na área de controle interno e aprovado em 10 concursos públicos.