Gestão de Projetos · FGV

Riscos em projetos: conceito, as 4 estratégias de resposta e o custo de mudança

Por Prof. Marcelo Soares Auditor da CGE-MT Atualizado em 02/07/2026

Risco é uma das restrições de todo projeto — e um dos temas com mais pegadinhas de prova: risco pode ser positivo, cada estratégia de resposta tem uma palavra-chave, e o risco e o custo de mudança se comportam de formas opostas ao longo do projeto.

Resposta rápida: segundo o PMBOK, risco é um evento ou condição incerta que, se ocorrer, provocará efeito positivo ou negativo em um ou mais objetivos do projeto. As 4 estratégias de resposta são: prevenção (eliminar a ameaça), transferência (passar o impacto a um terceiro), mitigação (reduzir probabilidade ou impacto) e aceitação (reconhecer e não agir). O risco começa alto e diminui ao longo do projeto; o custo de mudança faz o contrário: começa baixo e sobe.

Neste artigo

  1. O que é risco (e o detalhe do "positivo")
  2. Risco × custo de mudança no ciclo de vida
  3. As 4 estratégias de resposta
  4. Controlar as mudanças (e documentar!)
  5. Como cai na prova (FGV)
  6. Perguntas frequentes

1. O que é risco (e o detalhe do "positivo")

Risco é um evento ou condição incerta que, se ocorrer, provocará efeito positivo ou negativo em um ou mais objetivos do projeto (PMBOK). Incerto = pode ou não acontecer.

Na construção da sua casa: um período prolongado de chuvas, uma inundação ou um embargo por licença ambiental são riscos negativos — se acontecerem, atrasam e encarecem o projeto. Mas o risco também pode ser positivo: no exemplo extremo do professor, você está apertado nas dívidas da obra e… ganha na Mega-Sena. Evento incerto, efeito positivo no objetivo do projeto.

Pegadinha entre disciplinas: no PMBOK (gestão de projetos), risco pode ser positivo ou negativo. Já na área de auditoria (TCU, CGU), o termo "risco" costuma se referir apenas a eventos negativos. Cuidado para não levar o conceito de uma matéria para a outra.

2. Risco × custo de mudança no ciclo de vida

alto baixo ciclo de vida do projeto (início → término) Risco e incerteza (começam altos e caem) Custo de mudança (começa baixo e sobe) ↑ influência dos stakeholders é maior aqui… …e diminui à medida que mudar fica caro
As duas curvas que a FGV cobra — e a influência dos stakeholders acompanha a do risco.

O risco começa alto e vai diminuindo. No início, tudo é incerteza: você pode não conseguir o dinheiro, o terreno, o financiamento. À medida que as primeiras entregas acontecem (terreno comprado, telhado pronto), a incerteza cai — e o risco junto.

O custo de mudança faz o caminho contrário: começa baixo e vai subindo. Mudar a cozinha quando está tudo no papel custa só refazer o projeto arquitetônico; mudar com a cozinha construída custa quebrar parede. Por isso, a influência dos stakeholders (as partes interessadas) diminui à medida que o projeto avança: mudar no começo é barato e aceitável; perto do fim, é caro demais.

3. As 4 estratégias de resposta ao risco

Palavras-chave de cada estratégia

4. Controlar as mudanças (e documentar!)

Mudanças são naturais num projeto — a cozinha integrada que, no meio da obra, a arquiteta convence você a mudar. Mas é preciso monitorar o escopo e gerenciar as mudanças na linha de base: sem controle, o orçamento estoura, o cronograma fura e o projeto descamba.

E tem que documentar. Numa questão da FGV (DPE, Técnico Superior, 2014), um gerente acordou verbalmente uma grande alteração de requisitos com o cliente; o responsável foi substituído, não havia registro da conversa, e o novo responsável exigiu o escopo original — projeto cancelado. A falha apontada: não controlar (e não documentar) as mudanças do projeto.

5. Como cai na prova (FGV)

Questão comentada — FGV · PRT 12ª Região · Analista · 2017

O gerente do escritório de projetos irá gerenciar um Congresso Nacional de Gestão Pública e contratou um gestor de riscos para auxiliar na identificação, análise e resposta aos possíveis riscos, sejam positivos ou negativos. Em relação às respostas aos riscos negativos, o gestor poderá:

Outra cobrança recorrente (FGV/MPE Analista 2018): na etapa de encerramento, espera-se que os custos de mudança tenham aumentado e que as incertezas, os riscos e os níveis de influência dos stakeholders tenham diminuído. É exatamente o gráfico da seção 2.

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Perguntas frequentes

Risco pode ser positivo?
No PMBOK, sim — é um evento incerto com efeito positivo ou negativo. Em auditoria (TCU/CGU), o termo costuma designar só eventos negativos.
Qual a diferença entre prevenção e mitigação?
Prevenção elimina a ameaça; mitigação reduz a probabilidade de ocorrência ou o impacto (que continua possível).
Na transferência, o que se transfere?
O impacto da ameaça (como num seguro) — não o risco em si. É pegadinha clássica.
Como se comportam risco e custo de mudança?
Risco e incerteza: altos no início, caem ao longo do projeto. Custo de mudança: baixo no início, sobe. Influência dos stakeholders acompanha o risco: diminui.
MS

Prof. Marcelo Soares — professor de Administração e Auditoria para concursos, auditor da CGE-MT (Controladoria-Geral do Estado de Mato Grosso), com quase 10 anos de experiência na área de controle interno e aprovado em 10 concursos públicos.